DÁLIA

A MENSAGEIRA

Essa é uma história em construção sobre a primeira mensageira intergaláctica da Terra.

Por Vergilio Lopes

DÁLIA

A MENSAGEIRA

Em um dia que nem era dia de verdade o planeta Terra evoluiu para realidade. E finalmente todos os seus habitantes se tornaram reais. Isso possibilitou contato com inúmeros seres de outros mundos.

 

Como qualquer fluxo criativo o planeta foi desenhado de forma nada cuidadosa por um ser muito poderoso. Esse ser transportou engenhosamente toda sua energia para uma pessoa. E como acontece com todos os planetas despertos um Deus nasceu na Terra. Um menino bobo que tinha nas mãos o domínio e cuidado de tudo que existia.

 

O tempo é uma brincadeira e para todos os novos planetas despertos existem protocolos básicos. O primeiro deles é a convocação de um mensageiro intergalático, que dentre as suas inúmeras funções terá a missão de falar sobre a terra e entregar convites oficiais em outros planetas. 

Dália foi recrutada para trabalhar no ministério da comunicação intergaláctico e sua história terá muitas aventuras e curiosidades.

A RECEPÇÃO

capítulo 2

DÁLIA

A MENSAGEIRA

A sala era perfeitamente alinhada. O papel de parede florido refletia apenas o tom quente dos abajures. No centro entre o sofá e a porta da cozinha, havia uma única cadeira e a menina sentada, observava atentamente o envelope branco. A jovem, nitidamente perplexa, respirava ofegante, com medo e curiosidade.

Estava tudo calmo, os sons da rua aquietaram por alguns segundos e o único movimento dentro daquele apartamento ocorreu quando ela piscou naturalmente os olhos, e sem que qualquer um percebesse ela desafiava todas as leis da natureza e mudava tudo ao seu redor. Primeiro os quadros da parede tremeram brevemente. Segundo o lustre se moveu e as luzes piscavam distorcidamente. Tudo foi tão rápido que quando abriu os olhos, Dália não estava mais na sala. Ela a cadeira e os quadros estavam em um gigante espelho d’água. Era dia e o gigante lago refletia o azul do céu. Ao redor enquanto os quadros afundavam e duas luas cruzaram o céu mais rápido do que se esperava, ouviu-se o estalar de engrenagens como se aquilo tudo fosse um único mundo e ele pudesse conversar em tons mecânicos. Ela estava nitidamente impressionada.

Qualquer outro ficaria apavorado naquela situação, mas como disse anteriormente, Dália foi criada para viver em dois mundos, um que representava a realidade e a obviedade das coisas e outro que era lúdico e fantasioso. Ali, naquele momento esses dois universos se misturavam, como acontece com algumas tintas, ali o possível e o impossível conversavam lado a lado e ela estava incrivelmente encantada. Olhou atenta para a água, onde alguns pequenos peixes nadavam ao redor da foto submersa da avó. Era complexo definir na água o que era reflexo de nuvem e o que era peixe mas sem pensar olhou atentamente para cima e confrontou novamente com o impossível de forma bela. Era reflexo, os peixes estavam no ar, pouco acima de sua cabeça.

Não demorou e um novo girar de engrenagens ressoou, nitidamente estava comunicando a chegada de algo, logo emergiram da água inúmeras portas grandes, velhas com cores distintas e desbotadas. Dália observou atentamente a maçaneta da porta azul, da esquerda, se mover lentamente mas foi a porta verde, bem à sua direita que abriu. Era um velho de olhar agradável e simpático, vestia um macacão surrado e uma bolsa de couro, onde algumas pequenas plantas saíam pelas laterais. Ele se aproximou.

  • Olá. Quem é o senhor?

  • Olá. Eu sou o Jardineiro. Mas acredito que você deveria se apresentar primeiro. - Ele sorriu coçando os cabelos brancos.

  • Meu nome é…

  • Ei! Acho que você deve se apresentar formalmente.

  • Sim meu nome é…

  • Eiiiii! Formalmente! - Ele riu novamente piscando um dos olhos de forma nada sutil

  • Ai! Claro. - A menina desengonçadamente pegou o postal de dentro do envelope e leu com cautela. - Olá! Eu sou a nova funcionária do ministério intergalático. Sou a primeira mensageira da Terra, novo planeta desperto. Meu nome é Dália e estou aqui para acessar o núcleo de comunicação.

  • Prazer Dália! É uma honra e dizem, inclusive, que auspicioso, conhecer a primeira mensageira de um planeta. Sorte sua, que está adiantada e podemos conversar um pouco. Então quer dizer que um novo planeta despertou?

  • Acho que sim.

  • Bom. Como disse eu sou o jardineiro. Meu amigo Guia não está hoje, é ele quem recebe todos por aqui.  E eu planto.

  • Isso é maravilhosamente encantador. Que lugar é esse?

  • Essa é Via Transacional. Um dos planetas de acesso aos ministérios. E eu sou um dos guardiões por aqui. Moro aqui com a minha família.

  • Aqui? - As portas já haviam desaparecido.Ela olhou em volta e apenas via água.

  • É, imagino que seja tudo muito novo pra você. - Ele sorriu apontando para direita. É mais ou menos por ali, porém em um outro fluxo temporal. Você vai entender logo.

 

Novamente o som das engrenagens ecoou no espaço. Enquanto Dália erguia-se da cadeira, uma imensidão de flores amarelas brotaram das águas, a grama surgiu bruscamente sobre seus pés, e tão distante pode ver montanhas se formando, árvores gigantescas, campos e campos de cores diferentes, animais inimagináveis correndo e outros voando fluidamente pelo céu.

  • São mais de mil estações em poucos segundos. Lá naquela vila pequena, tá vendo? Logo no pé da montanha. Eu moro por lá e trabalho naqueles campos de agricultura. Nossa missão é alimentar todos os ministérios.

  • Eu realmente não sei o que pensar.

  • Uma primeira regra pra você menina. Tudo que lhe parecer diferente pode ser uma oportunidade, para conhecer, para aprender, ou simplesmente para apreciar.

  • Isso é algum tipo de Magia?

  • Isso é algum tipo de realidade. Mas não garanto que não tenha algo mágico na simples existência das coisas.

  • Isso é incrível! - Dália gritou tão feliz e intensa que não continha o riso nos lábios e a emoção nos olhos, que lentamente deixaram cair algumas lágrimas.

  • Por aqui poucas pessoas se impressionam com essa simplicidade da realidade. Com certeza seu olhar jovem trará novas perspectivas.

  • Simplicidade? Isso é fenomenal! Isso é simplesmente maravilhosamente encantador! O universo que eu conhecia aumentou infinitamente, deve ser formidável viver em um lugar como esse.

  • A casa mais bela está dentro da gente menina. A melhor morada é primeiro o nosso próprio coração e depois o coração daqueles que amamos...

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LEIA ABAIXO UM POUCO DESSA HISTÓRIA

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