"Ofereço-te uma xícara de tinta essa manhã, talvez assim possa pintar a própria alma"

 

                Eu gosto de coisas simples, olhar as partes pra depois me conectar com o todo. Gosto de café, de acordar com a janela aberta. Gosto de pintar, escrever, compor, dançar, criar, pela manhã.

 

                Quando criança costumava pedir cadernos e lápis. O papel se tornou uma forma de realizar desejos que a vida real não supria. Atrás de cada imagem costumava aliar histórias e outros mundos.

Costumo pendurar desenhos nas paredes.  Quando finalizo um trabalho, gosto de olhar para ele por um longo período e ficar revendo e imaginando as histórias possíveis por trás dele. Fico pensando no quanto aquilo influenciou minha vida e, principalmente, o quanto pode afetar as outras pessoas.

 

                 Em relação a técnicas, eu gosto de experimentar. Procuro não ver o óbvio das coisas, procuro sempre pensar no que elas podem se tornar. Gosto de compor, de fazer poesia, teatro e percebi que todas essas  artes  se unem de alguma forma. Adoro brincar com fotografias e desenhar sobre elas. Gosto de café, tanto para beber quanto para pintar. Sou desastrado e aprendi a gostar dos meus desastres. Já criei algumas histórias com café caído no papel, marcas de xícaras ou ainda quando derrubo tinta no chão, ou nas paredes. Gosto de ilustração digital, e estou começando a brincar com animação.

 

                 Minha arte ainda é nova. Tenho muito que aprender estudar e viver, mas classificaria parte dela como um reflexo do que eu vivi até agora, pois acabo de alguma forma sempre expressando minhas angústias, meus medos, meus desejos impossíveis. Estou em um processo de experimentação e deslumbre. Gosto da idéia de que esse processo é eterno.

 

                 Descobri a condição de artista quando percebi a necessidade de compartilhar esse sentimento, pouco compreendido, que interioriza meus pensamentos.

 

                 Acredito que algumas imperfeições são meramente limitações da nossa compreensão do mundo. Acredito que muitas vezes haverá uma forma de ver além do óbvio. O real imperfeito torna-se perfeito quando o impossível é aceito e quebrado pela mente que se deixa fluir.

 

                 Acho que eu vivo entre muitos mundos. Por enquanto, é isso que me satisfaz.